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O Bisonte – Abril

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Abril” é o terceiro album d’O Bisonte, mas também é o álbum de despedida da banda. A seguir o mote de se acabar quando se está no auge, O Bisonte recolheu-se como uma banda de culto, no auge de um underground muito ou nada frequentado pelas massas.

E como não podia deixar de ser, “Abril” segue a linha de rock forte e imponente dos últimos lançamentos. Com uma carga emotiva mais evidente, talvez por uma produção mais cuidada, talvez por desta vez não ser possível manter os takes directos, como no último álbum, e como era o objectivo da banda, por estarem maiores ou talvez por já termos tido a experiência do choque directo com a realidade que os últimos trabalhos nos proporcionaram. A verdade é que o álbum continua a “sacudir” com as convicções apáticas da sociedade, em críticas à forma como a observamos e vivemos.

Coloca o dedo directo nas feridas sociais como a abstenção, o desinteresse das massas por causas importantes à nação, a submáfia da política, o submundo da TV… Todo um conjunto de causas que continuam iguais, e causam irritação pela inércia. E quanto mais a banda cresceu, maior foi essa irritação.

O Bisonte recolheu-se do rock, mas deixou uma obra para reflectir.

 

 

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O Bisonte – Mundos e Fundos

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Mundos e Fundos” é o segundo album d’O Bisonte, seguido de “Ala“. Uma continuação de músicas sinceras e explosivas, em que se expressa a revolta de se viver num quotidiano politicamente correcto.

O album foi todo gravado sem recurso a nenhum artefacto digital. Não houve edição, os takes foram directos, tudo foi captado em analógico, de seguida. Depois de saber disto, e de ouvir o album, fiquei com a impressão de ouvir estar a presenciar uma versão sonora da parte do videoclipe do Spiritualized, aonde o travesti faz o percurso todo a pé até a cena do crime sem que hajam cortes ou mudanças de câmara, em que, neste caso, toda a crueza dos 8 temas nos é apresentada toda de rajada, como se tudo tivesse saído na hora, de primeira, num jacto de verdade que, ao mesmo tempo, tudo saiu perfeito e eficaz ao mesmo tempo.

A hipocrisia do mundo é gritada por um animal que sofre e revolta-se com tudo isto. A necessidade de o expressar através do rock é o que lhes dá a consistência. O peso das guitarras e da bateria engrossam o caldo. Os vocais evocam o desespero de levantar da cadeira e de se fazer ouvir, faz-nos franzir os olhos como se tivéssemos a assistir a uma cena revoltante de uma novela que na verdade é a vida de todos nós. A obra faz-se de tudo a acontecer ao mesmo tempo, num único take.

Rock que se faz valer pela honestidade e força das palavras, e é assim que tem de ser.

 

 

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O Bisonte – Ala

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A atitude desbocada que pauta as boas gentes do Norte bem que se podia traduzir numa banda assim. O Bisonte fizeram a sua estreia com “Ala“, um trabalho aonde a coragem de se gritar “cabrão” não se esmorece, muito pelo contrário. A juventude com que se grita junta-se à guitarra, à bateria pesada e à pancadaria lírica. Um trabalho de riff e palavra.

“Esqueleto” abre com tudo, seguindo-se “Laia” e “Acácia”, que reafirmam o motor deste bicho, que parece nunca parar. E mesmo depois de uns minutos de descanso, em “Imóvel”, voltam rapidamente a agir na próxima faixa. “Bandidagem” é uma das montras do trabalho, que junto de “Matilha dos Tristes” encerram um trabalho sem vergonha e abrasivo.

Um disco curto e grosso, a abrir uma discografia que, mesmo já tendo acabado, tem força e energia suficiente para mover mosh e poeira por onde passar.

 

 

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Sant – O Que Separa os Homens dos Meninos

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Diretamente da cidade do Rio de Janeiro vem uma chuvada sonora de confissões pessoais de um MC.
Um trabalho autobiográfico, repleto de rimas que nos remetem ao universo pessoal de Sant, um dos nomes da nova geração do Rap brasileiro.

Neste trabalho, aonde se apresentam 5 músicas com moral, o microfone é a melhor arma do MC, que conjugado com uma produção impecável torna “O que Separa os Homens dos Meninos” um dos grandes lançamentos deste ano no Rap feito no Brasil.

As letras cruas e verdadeiras sobre temas como a espiritualidade, questões sociais e sobre a sua própria vida cercada pelo ambiente da zona Norte carioca são atiradas como balas de significado perfurante, acompanhadas sempre por batidas grandiosas. Para Sant, estar na contra-mão da tendência do que se é feito no Rap de hoje em dia é quase como uma consequência natural, mostrando que o seu trabalho não depende de ninguém a não ser dele mesmo, e das suas próprias ideias e visões sobre o mundo que o rodeia. “O Que Separa os Homens dos Meninos” fala sobre a comunidade, mantendo uma pureza ideológica, colocando os olhos mais além do simplesmente falar sobre a comunidade.

A acompanhar o trabalho está um mini-doc, que vem reforçar a mensagem.

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Passo Torto e Ná Ozzetti – Thiago França

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Thiago França” é a junção de Passo Torto com a cantora Ná Ozzetti, mas é também a ausência de Thiago França neste trabalho. O saxofonista da banda não entrou neste disco, e de certa forma foi homenageado com o nome do próprio disco. Já Ná Ozzeti entrou em cena para levar a bom porto um projecto em regime de parceria, acontecendo uma fusão lírica e sonora dignas de muita ovação.

Thiago França” não é samba, não é rock, não é MPB, é uma história que acontece na cabeça de cada um que ouve, captada em São Paulo pelos olhos de quem a fez, e expressa através dos estímulos. É um pressuposto de que a linguagem cinematográfica também pode ser sonora, narrada e cantada em conjunto com arranjos sonoros que nos arrastam pelas ruas e pelos apartamentos aonde a história acontece, criando a atmosfera propícia à interpretação da lírica despedaçada. A voz nos conta tudo o que acontece de forma esparsa, como se tratasse de uma edição fragmentada, um puzzle narrativo que faz sentido na cabeça de cada membro do colectivo, aonde a própria obra se expande e se torna completa com a interpretação infinita de quem a ouvir.

O timbre se funde perfeitamente com a guitarra, o baixo, o violão. A junção de tudo isso é uma obra sonora digna de ser cinema, minimalista em recursos e riquíssimo em ideias, perfeitamente coerentes. Tudo aqui é lindo de se ver e ouvir.

Para quem quiser, pode fazer o download da obra.

 


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Anti-Corpos – Contra Ataque

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Li apenas na descrição: “Anti-Corpos é uma banda lésbica feminista de hardcore.” Foi o bastante para me fazer clicar no play. Eram 11 e meia da noite, meus vizinhos sofreram.

Têm como membros Adriessa Oliveira na guitarra, Helena Krausz na bateria, Pomba no baixo, e uma vocalista chamada Rebeca Domiciano, que grita com a convicção de quem pretende morrer ao curvar-se perante o preconceito e os dogmas da sociedade brasileira.

Música contra-corrente. Elas são enérgicas, vocal pungente, são feministas e gritam isso ao mundo da melhor maneira possível. Música que qualquer um pode tocar pra dizer tudo o que tem pra dizer, a genética do punk no feminino.

 

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Equations – Frozen Caravels

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O Norte de Portugal proporciona todos os anos, uma boa safra de boas bandas, que acabam por culminar num festival chamado Milhões de Festa, que serve, não só como mostra dessas safras, como também de montra das “next big things”, muitas delas completamente desconhecidas, mas garantidamente inovadoras.

Saídos de um hype tremendo, depois de um concertão na edição de 2011 do Milhões de Festa, os Equations, na altura, foram adiando o lançamento de um longa, e atiçando a curiosidade dos que estiveram no concerto, que obviamente queriam mais da banda.

Em 2012, depois de se juntarem à editora do Porto Lovers and Lollypops“, os Equations colocaram na rua “Frozen Caravels“.

Este álbum é tão entusiasmante como a estreia ao vivo da banda em Barcelos! Comecemos com as descargas electrizantes de guitarra e bateria, desde o primeiro play até onde se decidir parar. A produção ficou a cargo de Makoto Yagyu (Presente em projectos como PAUS ou Riding Pânico), e dos próprios. O vocalista grita de uma forma estridentemente hardcore. Toda esta máquina funciona.

Com “Frozen Caravels“, os Equations provaram que conseguiram transportar para o físico o quão bons foram ao vivo (já pra não dizer que provar que se é melhor ao vivo é algo louvável).

Seria injusto não colocar este álbum como um dos melhores do ano.

 


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Capitão Fausto – Gazela

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O facto dos Capitão Fausto gostarem muito de gazelas originou a que o seu álbum de estreia se chamasse “Gazela“. O facto de os Capitão Fausto terem óptimas referências do psicadelismo dos anos 60, veio a fazer com que este álbum, “Gazela“, que por sua vez é o seu álbum de estreia, se transformasse numa das novidades mais interessantes na música portuguesa daquele ano.

Cheio de músicas pop-rock “ligeirinhas”, de capa a fazer juz ao seu conteúdo sonoro: uma gazela aberta, multicolorida e faiscante por dentro, e ao mesmo tempo obscurecida pela própria silhueta negra e misteriosa. Não vou me entregar à divagação psicadélica pra falar deste disco, vou tentar ser bastante objectivo:

Os Capitão Fausto sabem a que vêm. Fazem aquilo que gostam, e fazem-no bem feito. Gazela é a prova disso.

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