No meio a tantos lançamentos melodramáticos este Verão, aparecem-nos algumas novidades refrescantes pela nossa timeline, como foi o caso de Silicon. “Personal Computer” é uma aventura refrescante de eletro-funk. Um trabalho cheio de groove bem vivo, e que aponta numa direcção disco, numa adoração pelo universo eletrónico e dos computadores. O produtor, Kody Nielson (irmão de Ruban Nielson, membro dos Unknown Mortal Orchestra), seguiu os seus passos numa estreia musical abastecida de funk-psicadélico, mas com uma proposta e uma filosofia muito própria.
“Personal Computer” é um trabalho que assume a música como um instrumento computadorizado, tanto a nível da produção como a nível da acessibilidade, assumindo-se a aceitando-se como um futuro. É este o ponto de vista de Nielson, provado exatamente pela forma como estamos todos a tomar conhecimento deste trabalho, pela tela de computadores e smartphones, blogs, dispositivos digitais… E neste ambiente frio que é o dos computadores, encontramos a energia do soul e do funk. Uma forma de observar o futuro da música, e da forma como a consumimos e a descobrimos, para o melhor e para o pior.

SILICON – God Emoji (via Soundcloud)

Como por exemplo, em “God Emoji”, em que a frase “Don’t want to go out on a Saturday night” (Não quero sair num num sábado à noite), traduz um mantra que os millenials proferem, ao encontrar entretenimento digital à distância de um clique, em que relacionamentos acontecem através de ecrãs de computador e todo um universo digital que se traduz numa nova forma de amor contemporâneo.

SILICON – Cellphone (via Soundcloud)

“Cellphone” é uma música em que conversas telefónicas são derramadas sobre batidas quentes. Desafia-se o uso e a importância que damos aos telemóveis, objectos frios e inanimados mas que tomaram o lugar como veículos para se ter conversas delicadas, que normalmente apenas teríamos cara a cara, e em privado.