Mundos e Fundos” é o segundo album d’O Bisonte, seguido de “Ala“. Uma continuação de músicas sinceras e explosivas, em que se expressa a revolta de se viver num quotidiano politicamente correcto.

O album foi todo gravado sem recurso a nenhum artefacto digital. Não houve edição, os takes foram directos, tudo foi captado em analógico, de seguida. Depois de saber disto, e de ouvir o album, fiquei com a impressão de ouvir estar a presenciar uma versão sonora da parte do videoclipe do Spiritualized, aonde o travesti faz o percurso todo a pé até a cena do crime sem que hajam cortes ou mudanças de câmara, em que, neste caso, toda a crueza dos 8 temas nos é apresentada toda de rajada, como se tudo tivesse saído na hora, de primeira, num jacto de verdade que, ao mesmo tempo, tudo saiu perfeito e eficaz ao mesmo tempo.

A hipocrisia do mundo é gritada por um animal que sofre e revolta-se com tudo isto. A necessidade de o expressar através do rock é o que lhes dá a consistência. O peso das guitarras e da bateria engrossam o caldo. Os vocais evocam o desespero de levantar da cadeira e de se fazer ouvir, faz-nos franzir os olhos como se tivéssemos a assistir a uma cena revoltante de uma novela que na verdade é a vida de todos nós. A obra faz-se de tudo a acontecer ao mesmo tempo, num único take.

Rock que se faz valer pela honestidade e força das palavras, e é assim que tem de ser.

 

 

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